Durante sessão extraordinária que aprovou a prorrogação da CPI da Covid, o vereador DD Aboiador entrou em cena. Diferentemente dos costumeiros discursos marcados por escassez de substância, desta vez o parlamentar elevou o tom.
Segundo Aboiador, há informações desencontradas sobre gastos durante a pandemia. Como exemplo, citou a aquisição de testes que teriam custado até R$ 1.700 por unidade, quando, de acordo com sua fala, o valor real seria inferior a R$ 200.
Onde está o ladrão?
Diante disso, foi direto ao ponto — à sua maneira: “Vamos saber onde está esse ladrão, vamos lá correr atrás”, enfatizou, com a convicção de quem parece ter despertado de um estado de letargia.
O discurso também veio acompanhado de críticas a possíveis resistências dentro da própria Câmara. Para o vereador, a dificuldade em aprovar a prorrogação da CPI indicaria que “tem alguém com medo de meter o dedo no fogo”. A metáfora é forte — embora, ainda falte identificar quem, de fato, estaria disposto a segurar a brasa.
A súbita eloquência, no entanto, contrasta com o histórico recente do parlamentar. Em participações anteriores nos debates do Legislativo municipal, Aboiador tem se destacado mais pela fragilidade dos argumentos, pela limitada desenvoltura no uso da língua pátria e por uma certa hesitação em sustentar suas próprias ideias. Daí a dúvida inevitável: trata-se realmente de uma guinada consistente ou é apenas uma reação inspirada por algo inconfessável? Seria o estouro da boiada?
Firulas
Fiel à indumentária que parece transitar com naturalidade entre o plenário e o curral, o vereador costuma ter uma performance pitoresca: ruidosa, pitoresca e, não raro, pouco produtiva. Enquanto promete encontrar “o ladrão”, talvez valha investir no que, até aqui, tem sido mais difícil de localizar em suas falas: conteúdo minimamente consistente.
Quiçá a postura enfática demonstrada na sessão extraordinária marque o início de uma mudança real — menos dissimulada, mais substanciais, mais críveis. Afinal, aboiar pode até reunir gado no curral, mas convencer — sobretudo em política — exige bem mais do que DD Aboiador tem apresentado.